sexta-feira, 10 de abril de 2009

ADORAÇÃO | QUINTA-FEIRA SANTA


«A minha alma está numa tristeza de morte,
ficai aqui e vigiai Comigo»

Leitor 1: Terminada a Ceia Pascal, depois de um longo diálogo de Jesus com os seus discípulos e da Oração Sacerdotal, Jesus sai da cidade. É noite. Acompanham-No os seus discípulos, expecto um: Judas. E dirige-se para o Monte das Oliveiras, para o horto, chamado Getsémani. Chegaram ao horto, Jesus deixou ao princípio oito Apóstolos e disse-lhes:

Leitor 2: «Ficai aqui enquanto Eu vou além orar...»

Leitor 1: …e avançou entre as oliveiras com aqueles que tinham presenciado a glória da Sua Transfiguração: Pedro, Tiago e João. Chegaram a um lugar mais isolado e o Seu rosto cobre-se de pavor, a tristeza e a angústia apoderam-se do Seu espírito, de uma maneira tal, que não pode deixar de o confiar aos três amigos mais íntimos:

Leitor 2: «A minha alma está numa tristeza de morte; ficai aqui e vigiai Comigo»

Leitor 1: Talvez não queira que os Seus discípulos mais íntimos desanimem totalmente ao ver a Sua profunda agonia. Deixa também estes três, e separa-se deles. Afasta-se bruscamente deles. Pouco tempo antes, no Cenáculo, quando instituía e distribuía a Eucaristia aos discípulos, o Seu rosto irradiava alegria. Agora pelo contrário, manifesta uma amargura tão grande que o faz passar por uma angústia de morte. De onde lhe vem essa tristeza? Da representação dramática das cenas terríveis da Sua Paixão. Ele antevê toda a tragédia da Cruz: o beijo traidor de Judas; a fuga dos discípulos; a negação de Pedro; a noite tenebrosa no Palácio de Caifás; a flagelação selvagem; a infâmia da coroação de espinhos; os gritos do povo sedento de sangue; a injusta condenação à morte; a subida para o calvário; a crucificação cruel; a morte de Cruz entre dois malfeitores. Como Homem que viveu a nossa condição humana, em tudo igual a nós excepto no pecado, Jesus não pôde deixar de se sentir profundamente comovido e perturbado perante um quadro tão aterrador, e porque tem um coração extremamente sensível, exclama:

Leitor 2: «A minha alma está numa tristeza de morte»

[momento de silêncio]

Leitor 3: Quantas vezes, também nós caímos no desânimo da vida, pelo medo do futuro, pela angústia dos nossos sofrimentos e dos sofrimentos dos outros, e muitas vezes sem sabermos o que fazer?

[momento de silêncio]

Leitor 3: - Senhor, Tu mostra-nos e nos ensinas como é importante rezar. Falar com o Pai, implorando, chorando e fazendo penitência Contigo.

Leitor 1: Jesus sente uma imensa necessidade de falar com O Pai e experimenta em si o que todo o homem sentiria nesses momentos: medo, tristeza e angústia. Jesus começou a sentir pavor e a angustiar-se e caiu de joelhos, dirigindo-se a Seu Pai numa oração cheia de confiança e de ternura, e diz-lhe:

Leitor 2: «meu Pai, se é possível afasta de Mim este cálice; mas, todavia, não seja como Eu quero, mas como Tu queres»

Leitor 1: Jesus manifesta que, além de Deus, é também Homem perfeito, capaz de alegria e tristeza. Tem as mesmas reacções físicas e psíquicas de todo o Homem, e sofre como todos sofremos perante um sofrimento eminente. Por isso, pede ao Pai que afaste de si o cálice da Cruz.

[momento de silêncio]

Leitor 1: Entremos bem dentro de Nós e imaginemo-nos, neste momento, no Getsémani com Jesus, onde manifestou abertamente a Sua tristeza.

[momento de silêncio]

Leitor 3: Também eu Jesus, como Tu, manifesto o meu sofrimento nas contrariedades e obstáculos que encontro pelo caminho da minha vida, na dor que atormenta a minha carne, no futuro que se me apresenta…

Também eu Jesus, Tantas vezes me encontro no Getsémani; quando sofro, pelas injustiças de que sou vítima, quando sofro, pelas incompreensões e intolerância dos meus irmãos;
Quando sofro, porque o meu irmão e amigo sofre pela doença, pela guerra, pelo desemprego e pela fome;
Quando sofro, porque experimento a dor do pecado na minha vida;
Quando sofro, depois de Te prometer que jamais voltaria a pecar e depois de tanto lutar, volto a cair;
Quando sofro, porque vejo a minha família desunida;
Quando sofro, pela miséria material e espiritual de tantos irmãos meus;
Quando sofro, ao ver tantos velhinhos no abandono da solidão.

[momento de silêncio]

Leitor 3: Mas como Tu Jesus, também eu peço ao Pai que afaste de mim estes cálices amargos de sofrimento. Como Tu Jesus, ensina-me a que eu me abandone totalmente nos braços do Pai, nos grandes momentos de dificuldade, dizendo-lhe ao terminar a minha oração, como Tu o fizeste:

Leitor 2: «Todavia não seja como Eu quero, mas como Tu queres»

Leitor 1: Frase tão difícil de compreender e aceitar, porque somos fracos. Mas és Tu Jesus, que continuas a sofrer em mim e em cada um dos meus irmãos. Sofres e estás triste, porque conheces as nossas angústias e sofrimentos. Lês no mais íntimo da alma as esperanças frustradas e as decepções. Por isso, repetes em cada um de nós:
«A minha alma está numa tristeza de morte, Meu Pai, se possível afasta de mim este cálice»

Leitor 3: Mas Tu Jesus, sofres e estás triste para mudar as tristezas as tristezas do Homem em alegria, para dar nova confiança e serenidade a quantos a perderem, para infundir alívio e esperança perante os grandes problemas da vida, especialmente perante o grande mistério da morte que a todos nos atinge.

Leitor 1: No jardim das Oliveiras, Jesus continua a dizer-nos:

Leitor 2: «Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e aliviar-vos-ei”.

Leitor 3: Nele, poderemos libertar-nos da angústia e encontrar paz. Dele, a alma recebe força para superar os momentos dolorosos, difíceis, escuros da vida. Mas, é necessário recorrer a Ele, na Oração e na escuta e vivência da Sua Palavra.

[momento de silêncio]

Leitor 1: Jesus depois de uma longa oração ao Pai, dirige-se onde estavam os três discípulos mais íntimos, na esperança de os encontrar solidários na Sua angústia e em oração. Porém, inesperadamente, encontra-os a dormir. Nenhum foi capaz de vigiar com Ele. Jesus com amargura volta-se para Pedro e diz-lhe:

Leitor 2: «Nem sequer pudeste vigiar uma hora Comigo! Vigiai e orai para não cairdes em tentação”»

Leitor 1: Naquela solidão, Jesus não encontrou o calor dos amigos. E assim aconteceu por três vezes. Nem sequer uma hora de vigia! Pedro prometeu dar a vida por Cristo e não conseguiu dominar o sono. Cristo sentiu necessidade de companhia e conforto. Procurou-o entre os seus amigos mais íntimos. Nos momentos de sacrifício, o Senhor não tem companhia. Todos querem acompanha-lo até ao partir do Pão, mas não, além disso. Neste momento, Jesus dá-se pela conta como é frágil a amizade, mesmo dos seus discípulos mais fiéis e mais íntimos. Quando mais deles precisava, mais O deixam só e abandonado. Como sente o peso desta solidão! Amanhã, no calvário, sentir-se-á ainda mais só, o que O levará a soltar este grito dilacerante:

Leitor 2: «Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonas-te?» O mesmo que dizer: «Meu Deus, Meu Deus, Também Tu Me abandonas-te?»

Quinta-feira Santa 09
Grupo Kanimambo Convento do Carmo de Viana do Castelo

quarta-feira, 1 de abril de 2009

ADORAÇÃO EUCARÍSTICA | ABRIL




A UNIDADE NO AMOR

Em nome do Pai...

Introdução
Neste momento de adoração temos uma oportunidade para nos acercarmos do centro da vida... Ao longo deste tempo de oração desejemos estar na Sua presença fazendo-O centro da nossa atenção. Calemo-nos para O escutar… Abramos o nosso ser à Palavra de Deus para que possamos construir em nós a obra da Sua vontade. Na certeza de que «Somos um»… deixemo-nos amar… porque Ele é esta unidade no amor! Compareçamos na alegria da paz e do amor que o mesmo Deus nos consagra. Encontremo-nos connosco mesmo, com Deus e com os outros… silenciemos para que entremos em sua amorosa linguagem…

Leitura do Evangelho segundo São João [Jo 17.20,26]
Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e disse «Pai santo, não peço somente por eles, mas também por aqueles que vão acreditar em Mim por meio da sua palavra, para que eles sejam todos um, como Tu, Pai, o és em Mim e Eu em Ti, para que também eles sejam um em Nós e o mundo acredite que Tu Me enviaste. Eu dei-lhes a glória que Tu Me deste, para que sejam um, como Nós somos um: Eu neles e Tu em Mim, para que sejam consumados na unidade e o mundo reconheça que Tu Me enviaste e que os amaste como a Mim. Pai, quero que onde Eu estou, também estejam comigo os que Me deste, para que vejam a minha glória, a glória que Me deste, por Me teres amado antes da criação do mundo. Pai justo, o mundo não Te conheceu, mas Eu conheci-Te e estes reconheceram que Tu Me enviaste. Dei-lhes a conhecer o teu nome e dá-lo-ei a conhecer, para que o amor com que Me amaste esteja neles e Eu esteja neles».

[adoração em silêncio]

Leitura Dos escritos da Irmã Isabel da Santíssima Trindade, [C124]
«Que as nossas almas se unam n'Ele e, enquanto vós o levareis às almas, eu permanecerei como Madalena silenciosa e adoradora junto do Mestre, pedindo-Lhe que Ele torne fecunda para as almas a vossa palavra. «Apóstolo, carmelita» é tudo um! Sejamos tudo para Ele, senhor Abade, deixemo-nos invadir pela seiva divina, que Ele seja a Vida da nossa vida, a Alma da nossa alma e retemos dia e noite conscientes sob a sua divina acção»

Pai Nosso

Oração Final
Senhor Jesus, que neste admirável sacramento, nos deixaste o memorial da vossa paixão, concedei-nos, Vos pedimos, a graça de venerar de tal modo os mistérios do Vosso Corpo e Sangue que sintamos continuamente os frutos da vossa redenção. Dai-nos a força do Teu Espírito. Transforma-nos em teus filhos, colaboradores da tua acção no mundo. Ámen.

Adoração Eucarística Grupo Missionário Kanimambo
Convento do Carmo Viana do Castelo
1 de Abril de 2009